Grande pausa cardíaca,
vermelho-sol
no grande átrio
das emoções,
pessoas desfilando
os seus destinos.
Onde está
a vida
solitário-social
que é isto tudo,
ininterrupção viva
ou morta
do sonho e dias?
Porque arte é investimento,
bolsa de valores
que é o homem,
o ego
de chamar "bom"
ao que nos toca,
ao que nos beija,
ao que nos fere.
E lá por baixo,
as cabeças iluminadas
(artificialmente?)
por este nada-sol
na sua passagem
para o outro lado
da data,
aqui.
Alguém
ou ninguém,
em pouca diferença
para lá da pintura,
tinge apenas,
passa
apenas.
Momentos mil
e uma nova vida
em falta,
antecipação do ser
ou não-ser
em negação -
estatuária do caos
que é o cosmos,
espaço.
Pontilhado monumento,
anfiteatro -
reflexão.
Arte pendente
e discreta,
candelabro
de um futuro
e do medo
invertido.
Conforme o presente
se infiltra no sonho,
o sonho se projecta
artisticamente
numa linha curva
que erra intermitente
a dimensão
e executa
intermitente
a coragem.
Valor
na esquina de projectos
e o sentimento
do sempre
que é a formiga
que se afasta
alguns centímetros
e retrata o horizonte
com a legitimidade
de uma formiga
em trilho aproximado.
Especulação,
deriva sistémica
que nos traz
ao berço-mãe
de acreditar-chorar
o nós
em escala de si
completa
e maior.
Temporal menor
e embarcação do passado,
poema antigo
recuperado e desbotado
no-pelo fluxo,
tempo e emoção.
Regra ou tragédia?
Alma ou comédia?
Ilha-naufrágio:
maus hábitos,
habituação.